quarta-feira, 5 de setembro de 2012
NA ROTA DO CANGAÇO: REGISTRO FOTOGRÁFICO (capítulo 1)
Os escritor Archimedes Marques e seu "Lampião contra o Mata Sete"
Forró-pé-de-serra: a cultura nordestina presente
Archimedes e sua esposa Elaine
Archimedes e os coordenadores do Projeto Memórias
Archimedes e familiares de dona Isaura
Parte do público presente e obras de alunos do Projeto em exposição
Fotos: Elaine Marques e João Paulo Araújo
N. SRA. DAS DORES NA ROTA DO CANGAÇO
No dia 31 de agosto de 2012, na Câmara de Vereadores, o cangaço entrou na pauta do Projeto Memórias, através do Simpósio e Exposição “N. Sra. das Dores na rota do cangaço: história, cultura e turismo” que contou com exibição do documentário “N. Sra. das Dores nas memórias do cangaço”, que mostra lugares do município ligados à história do cangaço, palestra do escritor Archimedes Marques (que abrilhantou o evento com o lançamento do seu livro “Lampião contra o Mata Sete”, uma obra lúcida de contestação da tese do "Lampião gay" e embasada em pesquisas históricas nas mais variadas fontes, que veio à público em tempo oportuno). Tudo isso ao som de forró-pé-de-serra.
O evento teve continuidade no dia 1º de setembro, com visita guiada a lugares de memória do cangaço em Dores, como a Mata da Serrinha e as fazendas Tabua, Salobro e Candeal, bem como à residência de dona Isaura Lopes (memória viva) num trabalho de educação patrimonial com alunos das oficinas do projeto. Nestas visitas, foram ressaltadas as figuras de alguns dorenses ligados à história do cangaço, como José Elpídio dos Santos, um mártir assassinado com requintes de crueldade pelo bando de Lampião em 1930, no Candeal, por não delatar seu pai e outros membros da volante que guarnecia Dores, evitando assim nova invasão da sede do município e prováveis atrocidades dos bandoleiros com seus cidadãos.
Agradecemos ao escritor Archimedes Marques e a sua esposa Elaine Marques pelas presenças, sem as quais nosso evento não teria o sucesso alcançado; aos alunos do Colégio Estadual Professor Fernando Azevedo, que junto aos seus professores Edivaldo e Jorge participaram atentamente do evento e marcaram presença no fértil debate incitado pela palestra do Dr. Archimedes; aos nossos colaboradores Secretaria de Estado Cultura/Governo de Sergipe, Ministério da Cultura/Governo Federal, Bazar da Arte, Paper e Co., Secretaria Municipal de Educação, JVS Vídeo digital e Sintec contabilidade; à primeira dama Iracema Rodrigues, que esteve representando o prefeito municipal, e a Messias do IBGE, representando nossa memória viva dona Isaura; aos alunos do Projeto Memórias, que participaram do evento com a exposição de algumas obras de arte produzidas nas nossas oficinas e que enfocam o cangaço; e a todos os presentes.
Ao longo da semana, disponibilizaremos aqui no blog algumas fotos do evento.
LAMPIÃO EM N. SRA. DAS DORES
Por Archimedes Marques
Lampião entrou pela primeira vez na cidade de Nossa Senhora das Dores, em Sergipe, no dia 25 de novembro de 1929 em ação considerada amistosa, ou seja, bem diferente do que ocorrera dias depois quando impiedosamente atacou a cidade de Queimadas na Bahia assassinando fria e covardemente sete indefesos soldados da polícia militar local, então aprisionados e imobilizados, em fatídico dia 22 de dezembro daquele ano, data essa que ficou marcada para sempre como sendo das maiores atrocidades praticadas pelos cangaceiros nas terras nordestinas.
Em Nossa Senhora das Dores, como sempre fazia Lampião quando iniciava as suas investidas criminosas chegando à determinada cidade, seqüestrou e manteve como sendo seu prisioneiro o vaqueiro de uma fazenda das cercanias da Serra do Besouro para que o mesmo servisse de guia para o bando composto então de sete cangaceiros sob o seu comando, vez que antes, estrategicamente, ali mesmo, para despistar e confundir as autoridades locais dividiu os grupos colocando-os sob os comandos de Corisco e Zé Sereno que então seguiram pela Serra do Boqueirão e adjacências.
A ação inicial do bandido Lampião sempre objetivava extorquir os mais abastados cidadãos mediante ameaça de invasão, saque às casas comerciais, dentre outros tantos crimes que em decorrência da violência usada pelos cangaceiros por certo ocorreriam caso não fosse atendido.
A cidade vivia um dia de feira como tantos outros dias de feira que antecederam aquela data, entretanto, a chegada de Lampião fez aquele dia de feira diferenciado e tornou um verdadeiro pandemônio entre toda a população dorense, pois só o seu nome fazia tremer o mais valente dos valentões. A exemplo dos outros lugares, muitos correram a se esconder e outros mais corajosos e/ou curiosos aglomeraram-se para ver de perto o famoso bandoleiro sanguinário que tanto aterrorizava os nordestinos. Não distante do seu modus operandi, Lampião mandou dois cangaceiros até o alojamento da polícia militar onde se encontrava apenas dois praças que logo foram convencidos a não reagirem sob pena de morte, enquanto outro bandido tomou conta do telegrafo para que não fosse passada nenhuma mensagem para as cidades circunvizinhas. Com o restante do grupo, Lampião dirigiu-se até a residência do Padre João de Souza Marinho – pároco que atuou em Nossa Senhora das Dores de 1928 a 1933 e que foi o responsável pela inauguração da bonita e majestosa Igreja Matriz dessa cidade em 1930 – e depois de pedir a benção ajoelhado aos pés do vigário e de ser abençoado, o próprio Padre também passou a ser usado pelo cangaceiro chefe na sua trama criminosa. A partir de então o Padre Marinho ficou encarregado juntamente com o Intendente do Município, Coronel Manoel Leonidas Bomfim, de arrecadar junto à sociedade local a vultosa soma de cinqüenta contos de reis para que não houvesse derramamento de sangue, violência excessiva ou crimes diversos entre o povo dorense. Entretanto, essa quantia exigida não foi alcançada pelos involuntários arrecadadores da extorsão. Alguns dizem que fora arrecadado somente a metade do exigido, outros, porém, alegam que a quantia não passou de oito contos de reis. De uma maneira ou de outra, o fato é que de pronto a soma que não era pouca fora aceita pelo chefe dos bandidos, embora conste da história que, além disso, houve pequenos saques a algumas lojas comerciais. Na loja de Pedro Vieira Teles, mais conhecido por Mestre Pedrinho Alfaiate, alguns cangaceiros se apossaram de vários pares de meias, assim como também, tomaram à força algumas peças de tecidos e perfumes na loja de Manoel Leônidas. Houve momentos de algazarra na loja de Manoel Jose de Jesus logo contidos por interferência de Lampião que inegavelmente exercia grande voz de comando perante os seus asseclas.
Segundo consta das pesquisas do escritor Ranulfo Prata realizadas na própria época dos acontecimentos, os cangaceiros encantando-se com a beleza das moças da cidade pediram permissão a Lampião para organizarem um baile no sentido de haver um pouco de diversão, fato esse não concretizado em virtude da intervenção de terceiros. Desse ocorrido, complementa as pesquisas o escritor e advogado Jose Lima Santana, tendo inclusive entrevistado o Mestre Pedrinho anteriormente citado, asseverando que o cangaceiro que sugeriu o baile teria sido o jovem Volta Seca que na época contava com pouco mais de onze ou doze anos de idade, ao passo que quem teria contestado o pedido fora o escrivão Cotias e/ou o Coronel Figueiredo, entretanto, de um jeito ou de outro, o fato é que Lampião, além de não concordar com a realização da festa ainda mandou que Volta Seca refreasse o seu ímpeto de gaiatice e se mantivesse sem sair, como espécie de castigo, dentro da “marinete” pertencente a Joel Barreto de Souza, mais conhecido por “seu Jóia”, até que tudo terminasse.
E assim Lampião realizou a sua primeira visita de forma supostamente complacente a cidade de Nossa Senhora das Dores, tendo daí seguido viagem para Capela no automóvel pertencente a Otacílio Menezes, enquanto que os demais cangaceiros seguiram na citada “marinete” do “seu Jóia”. Em Capela, igualmente de forma “amistosa” e até assistindo um filme no cinema local, Lampião novamente conseguiu êxito na sua extorsão e ali também não houve derramamento de sangue, como de igual modo não houve em Aquidabã, a cidade seguinte dessa trina visita indesejada realizada pelo seu criminoso bando.
Seguindo o adágio popular de que “brasileiro só fecha a porta depois de roubado”, assim a cidade de Nossa Senhora das Dores fechou a sua. A Intendência Municipal que hoje é equiparada a Prefeitura contratou alguns corajosos homens para servirem de guardiões, de protetores da população. Das pesquisas realizadas nos arquivos municipais pelo escritor Jose Lima Santana ficou constatado através do achado das folhas de pagamento da época que Enock Menezes Campos, Pedro Francisco Dantas, Antonio Pedro dos Santos, Brasilino Vieira Ludugero, João Andrade e Arnaldo Gomes recebiam dinheiro mensalmente para dar segurança a população dorense, ou seja, uma espécie de guarda municipal armada pronta para matar e morrer em combate se preciso fosse.
Infelizmente esse exemplo não foi seguido por outros municípios e quase um ano depois o bando de Lampião fez a mesma incursão a essas três cidades, só que em sentido inverso, ou seja, Aquidabã, Capela e Nossa Senhora das Dores. Desta feita a visita de Lampião, além de indesejada não fora nada amistosa, muito pelo contrário, houve atrocidades diversas com rios de sangue e lágrimas em toda a sua trajetória.
Quando o bando de Lampião entrou na cidade de Aquidabã, o ínfimo contingente policial fugiu às pressas deixando as pessoas totalmente desprotegidas e nas garras dos cangaceiros. Jose Custódio de Oliveira, mais conhecido por Zé do Papel fora arrastado ruas acima e em frente a um armazém próximo da praça principal da cidade teve a sua orelha decepada a golpe de faca pelo próprio Lampião, depois do bando ter praticado saques no comércio local e tantos outros crimes de torturas contra pessoas amedrontadas, dentre os quais o assassinato de um débil mental de nome Souza de Manoel do Norte, mais conhecido por Abestalhado, sem esquecer que o endiabrado cangaceiro Zé Baiano pegou o roceiro Eduardo Melo e após espancá-lo com o coice do seu fuzil, também cortou a sua orelha seguindo o exemplo do seu chefe. Zé do Papel ainda viveu por muito tempo e viu o cangaço se acabar e seu carrasco morrer, entretanto, o Eduardo Melo não teve a mesma sorte e faleceu cerca de um mês depois da perversidade sofrida.
De Aquidabã o bando seguiu para Capela, mas aí a população fora avisada com antecedência e se armou para enfrentar os bandidos que não conseguiram transpor as barreiras bem articuladas pelos bravos cidadãos capelenses. As noticias das atrocidades em Aquidabã e da resistência em Capela logo se espalharam via telegrafo tal qual rastilho de pólvora. Assim, a cidade de Nossa Senhora das Dores que já estava guarnecida pelos seguranças contratados pela Intendência Municipal também ganhou reforço da própria população que se armou do jeito que pode para aguardar o facínora. O calendário marcava o dia 15 de outubro de 1930 quando o bando agora com 18 componentes pisou pela segunda vez as terras de Nossa Senhora das Dores. Lampião estava de tudo furioso, “soltando fogo pelas ventas” tal qual um imaginário dragão da Idade Média, pois além da derrota sofrida em Capela, também sabia que ali as trincheiras o aguardavam.
Além de ser um excelente estrategista, um verdadeiro general maléfico das caatingas, Lampião tinha uma eficiente rede de informações. Assim, chegou ao subúrbio Cruzeiro das Moças, por volta das 20:00 horas daquele dia, e temendo reação idêntica à de Capela, dirigiu-se à casa de Jose Elpídio dos Santos, filho de José Raimundo das trincheiras, justamente um dos guardiões contratados para defender a cidade. O seu objetivo era saber onde estavam montadas as trincheiras, a quantidade homens existentes, suas armas e munições dentre outros informes, entretanto, o interpelado cidadão reagiu soberbamente e não traiu os entrincheirados nem tampouco o povo de Nossa Senhora das Dores, fato que valeu a sua própria vida depois de barbaramente torturado em vão para delatar os seus conterrâneos dorenses. Do brutal assassinato de Jose Elpídio dos Santos fora gerado o único Processo Criminal contra o famigerado Lampião no Estado de Sergipe.
Consta das informações coletadas e colacionadas no referido Processo Criminal que a vítima Jose Elpídio dos Santos após ser sequestrada fora amarrada em um dos cavalos que serviam de montaria ao bando seguindo junto com os cangaceiros pelas cercanias da cidade. Na bodega pertencente a Manoel Martins Xavier, mais conhecido por Santo Bodegueiro, que por sinal não se encontrava presente no momento, houve saque e até o sequestro da sua mulher, Sergina Maria de Jesus, também conhecida por Constância, deixando os seus filhos pequenos sozinhos, sem os cuidados maternos pelo resto daquela noite.
Na Fazenda Candeal Lampião e a sequestrada Sergina Maria de Jesus dormiram no mandiocal, um amarrado ao outro, ou seja, os braços dela amarrados a uma das pernas dele, enquanto os outros cangaceiros e o sequestrado Elpídio dormiram na beira da estrada, todos próximos uns dos outros.
Na madrugada de 16 de outubro, após varias tentativas de obter informações não conseguidas, Lampião matou Elpídio e mandou Sergina voltar para casa. No laudo de corpo cadavérico anexado ao referido Processo Criminal, consta que o corpo da vítima estava perfurado a balas, e havia, ainda, um "rendilhado" de punhal. Os dedos das mãos, sob as unhas, estavam perfurados e a barba estava queimada. Ou seja, tal documento comprova que Lampião e seu bando torturaram Elpídio, antes de matá-lo, com requintes crueldade e covardia. A vítima preferiu morrer a delatar o seu pai e os demais guardiões da cidade. Um homem de coragem e determinação sem dúvida. Um homem que apesar de todo o atroz sofrimento que viveu não ficou no rol dos traidores do seu povo. Um homem que merece ser mais bem reconhecido pelas Autoridades constituídas de Nossa Senhora das Dores da atualidade.
Das pesquisas também consta que fora assassinado nesse trajeto um pobre rapaz, que era alienado mental, na saída do povoado Taboca. Dito rapaz, não identificado, teria na sua insanidade mental mexido com o cavalo de Lampião, segundo dizem, e por isso fora barbaramente executado a tiros pelos bandoleiros sem dó ou piedade.
Consta das grandes atrocidades que ficou para sempre marcada na história cangaceira, a castração do cidadão Pedro José dos Santos, vulgo Pedro Batatinha, que vinha da Malhada dos Negros, a fim de arrancar um dente em Nossa Senhora das Dores. Após ser imobilizado, de um só golpe em amolada faca foi decepado os seus testículos por um covarde cangaceiro aos olhares e risos dos seus colegas comandados por Lampião.
O pobre do Batatinha, enfim, fora socorrido e encaminhado para Aracaju, onde o Dr. Belmiro Leite tratou do seu grave ferimento. Batatinha escapou e, segundo informações colhidas, morreu, na década de 1990, em São Paulo, por sinal casado, embora sem notícias de que o mesmo realizava as suas obrigações sexuais. Além de Ranulfo Prata e Jose Lima Santana, outros autores que escreveram sobre o cangaço registraram o fato da covarde e cruel capação de Batatinha.
Com a divisão efetiva do grupo de cangaceiros por Lampião em virtude da prisão de Volta Seca em 18 de fevereiro de 1932, formaram-se subgrupos chefiados por Corisco, Zé Baiano, Zé Sereno, Labareda e Pancada, sendo que cada um deles tinha o seu campo delimitado de atuação. Assim, o cangaceiro baiano de Chorrochó, Jose Ribeiro Filho, mais conhecido por Zé Sereno, ficou atuando criminosamente nas terras de Nossa Senhora das Dores e adjacências. Dentre as batalhas travadas pelo bando de Zé Sereno com populares, resistentes ou com a polícia volante, há de se destacar o “Fogo do Salobro”, no qual um dos cangaceiros, o Lírio Roxo, foi morto e decapitado, e o “Fogo do Cajueiro”, combate de bravura e resistência ocorrido no final da década de 30, bem próximo a chacina de Angico ocorrida em 28 de julho de 1938, cujo fato é hoje destaque no Projeto Memórias muito bem coordenado pelo historiador João Paulo Araujo de Carvalho na cidade de Nossa Senhora das Dores, sendo inclusive tema de um filme com o mesmo título em longa metragem que está sendo rodado com a participação de abnegados artistas da terra. Consta das pesquisas desse dinâmico jovem professor, escritor, historiador e porque não dizer também cineasta – com a ajuda inequívoca de outros participantes do Projeto Memórias, destarte para o incansável trabalho do artista plástico e historiador Manoel Messias Moura – em entrevistas diversas com os moradores mais antigos das localidades dorenses, em especial, a história contada por dona Isaura Lopes Clementino, testemunha viva do fato que em breve fará 99 anos de idade. Do seu relato observa-se que o seu pai, João Clementino, que anteriormente, no município de Triunfo em Pernambuco tivera um entrevero com Lampião, desta feita, então residente na Fazenda Cajueiro de propriedade do seu compadre o Coronel Vicente de Figueiredo, mais conhecido como Coronel Vicente da Tabúa, homem poderoso dono de cinco fazendas naquele município além de outras em Gararu e Aquidabã resistiu com a ajuda inequívoca dos seus amigos a um ataque de Zé Sereno e seus sequazes comandados, entrincheirados dentro da casa sede dessa fazenda, bravamente lutando e contra-atacando os bandidos à bala, através das famosas “torneiras” então existentes nas largas paredes de tal prédio. Do Fogo do Cajueiro há também de se destacar a coragem e a destreza de Pedro Clementino, filho de João Clementino e irmão de Isaura Clementino que inclusive chegou a salvar a vida do Coronel Figueiredo.
O rude Coronel Figueiredo que tinha verdadeira ojeriza a ladrões a ponto de torturá-los dentro da prensa de fazer os fardos de algodão – produto abundante nas suas terras – desse dia em diante passou a mais ter ódio aos bandidos, em especial ao bando chefiado por Zé Sereno. Apesar do grupo de Zé Sereno ser composto por somente cinco homens, fizeram os mesmos um grande estrago na Fazenda Cajueiro, vez que não conseguindo romper a resistência, mataram como vingança aproximadamente uma dúzia de vacas que estavam nas cercanias da casa.
O tema cangaço que tem sido recorrente nas pesquisas do Projeto Memórias, resgata não somente a história de Nossa Senhora das Dores, mas também alarga a história de Sergipe, pois além de tudo gera resultados na produção de artigos, documentários, filmes e discussões com o povo que por certo abraça essa idéia e que no futuro próximo pode gerar rendas e dividendos para muitos quando colocar de vez o seu município na rota de turismo do cangaço.
Foi dentro desse contexto que Lampião pela terceira vez aportou em Nossa Senhora das Dores, desta feita imaginariamente no último dia 31 de agosto de 2012, com o livro LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE. Aos abnegados pesquisadores e historiadores, resgatadores da história cultural dorense, João Paulo de Araújo de Carvalho e Manoel Messias Moura que comandam o Projeto Memórias, exaro a minha eterna gratidão em poder dispor a minha obra literária e apresentar uma palestra bem movimentada a um público de pessoas interessadas e cultas que superlotou a galeria da Câmara Municipal nesse glorioso e inesquecível dia.
Do Projeto Memórias e das suas conseqüências relacionadas ao cangaço é trazido a tona fatos de relevância histórica até então desconhecidos da maioria, pois o que se sabia desse tempo de luta, sangue, dor e lágrimas em solo dorense, era somente que o seu povo apenas teria se humilhado aos pés de Lampião – o que de fato ocorrera quando da sua primeira visita a cidade sede – entretanto, conforme o dito, disso gerou reação e resistência comprovando assim a força, a pujança, a determinação, a bravura de homens que eram capazes de darem as suas próprias vidas em defesa dos seus propósitos como assim o fez Jose Elpídio dos Santos, sem dúvida um herói, um mártir ainda não reconhecido por Nossa Senhora das Dores.
Archimedes Marques (Escritor e Delegado de Policia Civil no Estado de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
NOSSA SENHORA DAS DORES NA ROTA DO CANGAÇO: história, cultura e turismo
A história de Nossa Senhora das Dores, iniciada no século XVII com o massacre dos índios enforcados, é povoada de conflitos e resistência. Com uma economia agrária, baseada no plantio de algodão e na criação de gado, nas décadas de 1920 e 1930 o município passou a fazer parte da rota de cangaceiros que aterrorizavam o nordeste brasileiro.
Dentre eles, estava o “Capitão” Virgulino Ferreira da Silva, o afamado Lampião, que passou pela região ao menos em duas oportunidades. Na primeira delas, num dia de feira do ano de 1929, arrecadou uma quantia em dinheiro sem maiores incômodos. Já na segunda vez, em 1930, encontrou resistência, já que a cidade estava guarnecida por volantes e trincheiras, não chegando a nela adentrar. Porém, em suas adjacências o bando cometeu a castração de Pedro José dos Santos (vulgo Batatinha), além dos assassinatos de um deficiente mental (cujo nome não ficou registrado na história) e de José Elpídio dos Santos (filho de um dos chefes das trincheiras) - crime pelo qual foi instalado o único processo judicial conhecido contra o “rei do cangaço” em todo Estado – dentre outras ações.
Entretanto, além de Lampião, outros de seus asseclas fizeram de Dores sua rota, como é o caso de José Ribeiro Filho, o Zé Sereno e seu bando, chegando até a haver combates envolvendo este grupo no município e que ficaram conhecidos como “Fogo do Salobro”, no qual um dos cangaceiros foi morto e decapitado, e “Fogo do Cajueiro”.
O tema cangaço tem sido recorrente nas pesquisas do Projeto Memórias. Tais pesquisas, tem resultado na produção de artigos, documentários, filme e discussões com a comunidade, sempre focando na questão da dorensenidade, pois, trazem à tona fatos de relevância histórica até então desconhecidos da maioria, tornado evidentes diversos aspectos da cultura do município e atuando assim na valorização do patrimônio histórico local e na construção dos laços de identidade dorense.
No que se refere à presença de Lampião e outros bandoleiros em solo dorense, as pesquisas do Projeto Memórias tendem a colocar o município na rota sergipana do turismo do cangaço, e através da história gerar emprego e renda à população local. Afinal, vários são os lugares de memória ligados a este fenômeno existentes em terras enforcadenses. Temos a “Gruta da Salvação” (povoado Cruzes) e a “Mata da Serrinha” (povoado Serra) que eram locais onde a população se escondia quando das passagens dos cangaceiros pela região, além das fazendas Cajueiro (propriedade do Coronel Figueiredo invadida pelo bando de Zé Sereno), Candeal (local do assassinato de José Elpídio) e Salobro (onde em combate com a volante morreu e foi decapitado um cangaceiro do bando de Zé Sereno).
E para socializar com a comunidade estas pesquisas e discutir a importância de se preservar estes locais de memória, inclusive como atrativos turísticos, o Projeto Memórias promoverá no dia 31 de agosto de 2012 o Simpósio e Exposição N. Sra. das Dores na rota do cangaço: história, cultura e turismo. Durante o evento, haverá exibição de documentário sobre os lugares citados acima, além de palestra com o escritor e delegado de polícia sergipano Archimedes Marques, que na oportunidade estará lançado seu livro “Lampião contra o Mata Sete”, que discute o mito do “Lampião gay”. Tudo isso tendo como fundo musical um bom forró pé-de-serra.
O evento faz parte das atividades do Ponto de Cultura “Memória, Cultura & Cidadania”, uma parceria entre o Projeto Memórias, a Secretaria de Estado da Cultura⁄Governo de Sergipe e o Ministério da Cultura⁄Governo Federal.
Por João Paulo Araújo de Carvalho
* publicado na edição de agosto da revista Perfil
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
N. SRA. DAS DORES NA ROTA DO CANGAÇO: história, cultura e turismo
CONVITE
O Projeto Memórias tem a honra de convidar V. Sa. para participar do Simpósio e Exposição N. SRA. DAS DORES NA ROTA DO CANGAÇO: HISTÓRIA, CULTURA E TURISMO que será realizado no próximo dia 31 de agosto de 2012 no auditório da Câmara de Vereadores, a partir das 19 horas. O evento busca discutir a presença do cangaço no município e a exploração turística de seus lugares de memória e contará com exibição de documentário e palestra do escritor Archimedes Marques, que na oportunidade estará lançando seu Livro LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE.
Você é nosso convidado especial!
Cordialmente,
Projeto Memórias
domingo, 22 de julho de 2012
OFICINAS DO PROJETO MEMÓRIAS COM INSCRIÇÕES ABERTAS
O PROJETO MEMÓRIAS informa a toda a comunidade dorense que estão abertas as inscrições para as oficinas de ARTES PLÁSTICAS, LITERATURA DE CORDEL e TEATRO, a serem iniciadas em agosto próximo. As inscrições e informações podem ser feitas no Bazar da Arte, situado à Pç. da Caixa d´água, nº 199, no centro da cidade. As vagas são limitadas!
As referidas oficinas fazem parte das atividades desenvolvidas pelo Projeto Memórias através do PONTO DE CULTURA MEMÓRIA, CULTURA E CIDADANIA e contam com o patrocínio do Governo Federal / Ministério da Cultura e do Governo do Estado / Secretaria de Estado da Cultura e apoio cultural do Bazar da Arte, da Paper&Co., da Sintec e da Secretaria Municipal de Educação.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
EM BREVE "LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE" SERÁ LANÇADO EM DORES
Confira um aperitivo do livro do delegado Archimedes Marques que em breve será lançado em N. Sra. das Dores em evento promovido pelo Projeto Memórias.
LAMPIÃO NO MUNDO DAS CELEBRIDADES
Octavio Iani ( 1926/2004), considerado um dos fundadores da sociologia no Brasil, tem um belo estudo sobre tipos e mitos do pensamento brasileiro. Para ele, o Brasil pode ser visto ainda como um país, uma sociedade nacional, uma nação ou um Estado-não nação em busca de um conceito. É neste processo de buscar uma cara que florescem as figuras e as figurações, os mitos e as mitificações de "Lampião", "Padre Cícero", "Antonio Conselheiro", "Tiradentes", "Zumbi" e outros, reais e imaginários.
No caso de Tiradentes, nosso herói maior, a propaganda republicana, na ausência de um retrato feito por alguém que realmente o tivesse conhecido pessoalmente, o pintou como Cristo. Aquelas barbas podem ser pura imaginação do retratista, já que naquela época, como em alguns lugares hoje, preso não podia deixar crescer barba ou cabelo por causa dos piolhos.
Com Lampião, o processo de mitificação é interminável. Afinal, ele é filho famoso de uma terra de cantadores de feira e de cordelistas, onde a imaginação, e não só talento, também corre solta. Tanto que nas últimas décadas muitos tentaram promover a transposição da imagem de Lampião de "facínora" para uma espécie de versão tupiniquim do "Bandido Giuliano", o fora da lei que virou herói siciliano na primeira metade do século XX e que foi retrato nas telas no clássico de Francesco Rosi.
Acho ainda que Lampião, como ocorre com muitos outros personagens da nossa história, está sendo redescoberto pela ótica do culto da invasão da privacidade, uma das marcas dos tempos atuais. Em suas covas, mesmo enterrados há 50, 100, 200 anos, eles não conseguiram escapar de um mundo que se transformou numa Big Brother. Viraram "Celebridades", e portanto sujeitos a bisbilhotices, ou fofocas mesmo, sobre seus afetos, romances e até opção sexual. Talvez seja por isso que surgem agora questionamentos sobre a sexualidade "Zumbi" e mais recentemente de "Lampião" com o livro LAMPIÃO O MATA SETE.
No livro opositor, LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE, o autor Archimedes Marques procura desmontar, pedra por pedra, o mito do Lampião gay. Vale a pena conferir.
Ancelmo Gois (Colunista do Jornal O GLOBO)
Nota do escritor ARCHIMEDES MARQUES: Quem desejar adquirir o livro LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE, entrar em contato com o e-mail: archimedes-marques@bol.com.br
Assinar:
Postagens (Atom)




