quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

DORES RECEBE OFICINA DE XILOGRAVURA

Gravura de volta à Dores!

Pela segunda vez o Gravura de Inverno retorna à Nossa Senhora das Dores. Cidade sergipana, localizada no médio sertão, de gente honesta e trabalhadora.
Essa é a turma de Dores. Tudo cabra danado de bom no desenho e na gravura.
Uma parceria bacana com o Ponto de Cultura "Memórias" do guerreiro Manoel Messias. Valeu!
Começamos forte e fiche com esse grupo que está curtindo e se dedicando no fazer da xilogravura. Sexta tem mais aula prática e um bom bate papo sobre gravura, arte e cangaço!


A turma à carater para inspiração no cangaço.


Alunos e suas matrizes.



Esse é o Manoel - cabra danado!

Publicado no http://gravuradeinverno.blogspot.com/

sábado, 12 de novembro de 2011

PROJETO MEMÓRIAS DIALOGA COM A POLÍCIA MILITAR SOBRE SUAS ATIVIDADES

o diálogo se deve à denúncia de vizinhos sobre barulho em excesso na sede do Projeto quando das atividades musicais desenvolvidas lá

Representantes do Projeto Memórias estiveram nessa sexta-feira, dia 11 de novembro de 2011, a conversar com o Comandante do Destacamento de Polícia Militar de N. Sra. das Dores, Sargento José Ronalço Ramos, sobre as reclamações feitas contra o Memórias por alguns vizinhos, reclamações estas que têm a ver com as atividades (oficinas) de música desenvolvidas pela referida instituição.
Mostrando-se solidário à nossa causa, o Sargento Ronalço Ramos enfatizou a relevante contribuição que o Projeto dá a Nossa Sra. das Dores dizendo as seguintes palavras: “agora que estou sabendo do que se trata vejo que é uma coisa boa pra cidade, eu gosto de cultura, sempre que posso estou participando de palestras e demais atividades culturais, isso é muito bom para os jovens”.
Em seguida, o Sargento forneceu explicações sobre a sua abordagem dias antes na sede do Projeto, deu as devidas orientações no sentido de encontrarmos meios de continuar as atividades evitando choque com a vizinhança e estabelecer se possível um acordo de convivência com a outra parte envolvida, de modo que uma das alternativas citadas durante a conversa com o Sargento Ronalço foi a de notificar por escrito a comunidade local a cerca dos dias e horários da realização de tais atividades e criar critérios para as mesmas.
Assim sendo, o Projeto Memórias agradece ao Sargento José Ronalço Ramos pelas palavras de apoio, pelas orientações, e por gentilmente se colocar a disposição de todos.

Por Manoel Moura

sábado, 5 de novembro de 2011

JOVENS SÃO PROIBIDOS DE DESENVOLVER CULTURA EM DORES

o que queremos para nossos jovens: alcóol, outras drogas ilícitas, participação em assaltos, sequestros e outros tipos de práticas criminosas, ou seu desenvolvimento intelectual e artístico?



DESABAFO

Estou muito triste, sim, muito triste mesmo! Pois nessa Sexta-feira, dia 4 de novembro de 2011 a viatura da Polícia Militar de Nossa Sra. das Dores parou defronte a sede do Projeto Memórias que fica situada nas dependências do Bazar da Arte. O fato é que os membros do referido Projeto tem nos últimos anos trabalhado voluntariamente em prol do desenvolvimento intelectual da nossa população, e em especial dos nossos jovens, o que por sua vez os protegem de situações de risco, pois bem, acontece que um grupo de adolescentes que são atendidos de forma gratuita por essa instituição foram impedidos de ensaiar algumas músicas que seriam apresentadas no dia seguinte em um dos colégios da nossa cidade.
Sem saírem da viatura, os policiais chamaram os meninos e disseram que eles tinham que parar o barulho ou do contrário iam levar os instrumentos para a delegacia, o que eles alegaram: “os vizinhos” ligaram reclamando, detalhe, os policiais não revelaram quem fez a reclamação,foi o que me contaram os jovens, pois eu estava no momento da abordagem em uma sala editando um vídeo e não vi o ocorrido. Daí pergunto, o mais adequado não seria os, ou “o vizinho” entrar em contato com os representantes da Instituiçãoe quem sabe estabelecer um acordo de convivência antes de ameaça-los enviando a polícia? Será que esses vizinhos, ou o vizinho que reclamou não é um daqueles cujas ações refletem a personalidade de um individuo prepotente, orgulhoso e sem maiores preocupações com o próximo e ao meio ambiente?
O que efetivamente encontraram os policiais ao chegarem no local? Um grupo de jovens usando drogas, bebidas alcoólicas, fazendo sexo ilícito e planejando assaltar as casas dos vizinhos e as suas também? Encontraram esses policias, armas ou instrumentos musicais nas mãos desses adolescentes? Daí eu pergunto a vocês policiais e amigosprotetores da nossa sociedade, e pergunto também aos, ou porque não dizer, ao meu caro vizinhoreclamante, qual é o barulho que perturba mais, as baquetas feita de uma nobre madeira tocando a pele de uma bateria ou o som de um tiro de fuzil adentrando numa janela e atingindo um inocente? Tiro esse que pode muito bem ser acionado por um jovem cujas oportunidades e habilidades tenham sido castradas por atitudes irrefletidas, por um posicionamento meramente egoísta e insano.
Será que os vizinhos, ou o vizinho, é daqueles que já se acostumou com o barulho irritante das sirenes das ambulâncias levando para os hospitais vítimas de atos violentos praticados por certos jovens? Será que não são “esses” uma construção nossa?O que grita mais alto, um acorde de uma guitarra bem tocada ou o soar desafinado da sirene de uma viatura policial perseguindo jovens bandidos e perigosos? Diante do que o mundo apresenta aos nossos jovens, é ou não é relevante o apoio a iniciativas como essa, apresentando possíveis soluções para os eventuais problemas que nos acomete?
Poderiam os policiais ter ido embora sem procurar no ato da abordagem osresponsáveispelo estabelecimento e pela referida instituição a fim de expor a situação dialogando com a outra parte envolvida?
Bem, o fato é que estamos “errados mesmo”, somos efetivamente culpados por não termos dinheiro para construir uma sala acústica para os nossos alunos, e nem mesmo sede própria, somos culpados por eles saírem tristes com os seus instrumentos nas mãos lamentando o ocorrido, somos culpados por nossa cidade não ter um local adequado para os nossos jovens exprimir os seus talentos artísticos, sim, talvez sejamos culpados por muitos deles se tornarem bandidos perigosos, daqueles que matam pais de famílias inocentes para roubar, daqueles que matam sem piedade aqueles que são pagos para nos proteger, vocês policiais.
Sim, talvez mereçamos mesmo ir presos por “perturbarmos” a ordem pública, e de lá da delegacia sermos encaminhados aos magistrados, processados, e condenados pelo crime de formação de bons cidadãos.
Bem, são exatamente três horas da manhã, estou com a cabeça doendo muito, a gastrite a mil, o estômago dói demais, e do meu olho está descendo uma água ardida que alguns chamam de lágrima, e essas caem nos mais variados formatos, lamento, revolta, tristeza, angustia, muito pesar...

Manoel M. Moura

sábado, 22 de outubro de 2011

LANÇAMENTO DO LIVRO "NAS ASAS DO VENTO" DA POETISA DORENSE SALETINHA

Aconteceu no dia 21 outubro no prédio da Câmara Municipal de Vereadores de Nossa Sra. das Dores o lançamento da 2ª edição do livro de poesia "Nas Asas do Vento" da poetisa dorense Salete C. Nascimento (Saletinha). Na oportunidade estiveram presentes os representantes do Projeto Memórias Manoel Moura, Luis Carlos, João Paulo, Ari Pereira, e o professor Arnaldo. O evento contou ainda com a presença de parentes da escritora, autoridades locais ligadas à educação e à cultura, como o também escritor José Lima Santana, e ao governo municipal.
A homenageada da noite falou do orgulho que sente de ser dorense, da saudade de sua infância vivida em Dores e da acolhida dispensada pelos que ali se fizeram presentes. O público pode ainda se deliciar com alguns poemas declamados por poetas convidados, e a primeira homenagem partiu de sua filha, Leila Nascimento, que arrancou aplausos dos convidados. Depois foi a vez de alguns poetas da cidade de Estância, local onde vive atualmente com a sua família. Para finalizar, a escritora Salete cumprimentou seus convidados em uma acalorada seção de autógrafos.

Por Manoel Moura - historiador, poeta, artista plástico e coordenador do Projeto Memorias. (adaptado do blogdobazardaarte.blogspot.com)


sábado, 8 de outubro de 2011

PROJETO MEMÓRIAS E SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROMOVEM A DORENSENIDADE

MEMÓRIAS DORENSES E SEC. EDUCAÇÃO DE DORES
UMA GRANDE PARCERIA
resumo da matéria escrita pelo jornalista Antônio Carlos Rocha e publicado no site pmnsdores.se.gov.br

A Parceria Projeto Memórias Dorenses e Secretaria da Educação de Dores Consiste num ciclo de Palestras, nos Estabelecimentos da Rede Municipal de Ensino e exposições, o que poderá contribuir para a formação do sentimento da dorensenidade. Em evento realizado na Câmara Municipal de Nossa senhora das Dores, no último dia 30-09, a cultura dorense mostrou que está em grande ascensão.
O evento contou com a presença de estudantes, cidadãos e autoridades, que foram convidados para o evento de grande significância para a cultura local, quando na oportunidade viu-se que a nossa cultura conta com grandes parceiros. Aquela oportunidade serviu para reforçar a parceria já existente entre o Projeto Memórias Dorense e a Secretaria Municipal da Educação do Município de Nossa Senhora das Dores, onde o primeiro tem como um dos membros o professor e mestre em História, João Paulo; já a Secretaria da Educação tem o comando do Secretário Idalício Soares.
Na sua fala, o professor, historiador, poeta, cordelista e artista plástico, Manoel Moura foi enfático ao afirmar que não basta “Ser Dorense”, mas sim, ter identidade com o município, complementado pelo orgulho de ser dorense, o que vem a originar o termo “Dorensenidade”; onde ele mostra que para que se tenha orgulho de ser dorense (de praticar a dorensinidade), tem-se que ter conhecimento da nossa cultura. Apresentou um vídeo mostrando diversas vertentes da cultura dorense, com fotos, vídeo e fundo musical com voz da cantora sergipana Amorosa.
O professor Luiz Carlos apresentou a todos os presentes a primeira logomarca do Projeto Memórias Dorenses. Também relatou que à época (2003), quando o Professor João Paulo estava iniciando os seus estudos (superior) em História, certo dia chegou à sua casa relatando que desejava criar um projeto à altura de promover o resgate da cultura e memória do município, dali por diante estava formada a parceria entre eles e outros que resultaria no “Projeto Memórias Dorense”. A formação do grupo rendeu bons frutos e, como já citado, em 2003 era criado o Projeto; em 2005 era lançado o primeiro jornal, que viria a causar o começo de uma verdadeira revolução na conscientização e resgate da cultura local (...).

Adaptação: Manoel Moura (blogdobazardaarte.blogspot.com)

domingo, 2 de outubro de 2011

PESQUISADOR DORENSE DESTACA DORES NA 13ª SEMPESq

A Universidade Tiradentes realizou na última semana a 13ª SEMPESq (Semana de Pesquisa) com a presença de pesquisadores de diversas cidades do estado de Sergipe e do Brasil, dentre eles estava o conferencista João Paulo Araújo de Carvalho, Mestre em História e ex-aluno da referida instituição. A palestra aconteceu na quarta-feira, 28/09/2011 no Auditório Prof. Geraldo Chagas, Campus Centro, na capital Aracaju com a seguinte abordagem: “A história de Nª Srª das Dores e o Projeto Memórias”. Durante trinta minutos o historiador João Paulo falou do surgimento da vila e do município de Nossa Sra. das Dores, da elevação da Vila de Enforcados para a categoria de cidade, ressaltando a sua importância no contexto histórico e cultural do estado de Sergipe.
Por ultimo, Carvalho enfatizou a criação do Projeto Memórias de Nossa Sra. das Dores, as ações por ele realizadas, da receptividade que o Projeto Memórias está tendo dentro do mundo acadêmico, como também dentro e fora da comunidade local, das dificuldades enfrentadas pelo grupo em manter a instituição funcionando, do reconhecimento de utilidade pública pelas leis municipais e estaduais, e a parceria da “Associação de Incentivo à Pesquisa e à Cultura Nossa Senhora das Dores dos Enforcados” (Projeto Memórias) com o Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura.


Por Manoel M. Moura, historiador e coordenador do Projeto Memórias.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

ISAURA LOPES CLEMENTINO E A HISTÓRIA DO CANGAÇO: parte 2 (o Fogo do Cajueiro)

O “Fogo do Cajueiro”, tiroteio entre o bando de Zé Sereno e o Coronel Figueiredo que resultou da tentativa frustrada do primeiro de invadir a fazenda deste último, nos finais da década de 1930, já havia sido a nós narrado por idosos do povoado Sucupira, próximo a esta localidade. Com as informações dadas por S. Ebron e S. Nezinho na Sucupira, os quais nos foram apresentados pelos jovens Igor e Guigui, pensamos, nós do Projeto Memórias e eles da Mandacaru Filmes, em levar esta história para a tela do cinema, transformando-a num filme com a função de colocar Dores na “rota do cangaço”, chamando a atenção para o embate cangaço X coronelismo, pouco enfatizado nas obras mais conhecidas.
Entretanto, pairavam sobre o tema alguns questionamentos: a) Qual o horário do tiroteio, que vitimou mais de uma dezena de vacas que estavam na proximidade da casa grande? b) Por que a fazenda foi invadida? c) Por que o Coronel estava praticamente desarmado e sem a presença de jagunços nas proximidades da sede da propriedade que viessem dar proteção e obstruir a entrada dos invasores?
Dona Isaura foi peça-chave para chegarmos às respostas, vez que ela é a única personagem daquele fato ainda viva, estando sua casa nas proximidades da sede da fazenda, sendo seu irmão aquele que socorreu o Coronel e tendo uma de suas irmãs estado no interior da residência no momento do tiroteio.
Segundo Isaura Clementino, a invasão da Fazenda Cajueiro se deu por volta das 21 horas, estando o Coronel já deitado e sendo possível ver de longe o feixe de luz gerado pelas balas e ouvir o barulho dos tiros. Sobre o motivo da invasão, ela nos informa ter testemunhado o Coronel Figueiredo Porto mostrando a seu pai, João Clementino, do qual era compadre e no qual confiava, um bilhete escrito por Lampião e entregue pelo seu vaqueiro da Quixaba onde pedia alta quantia em dinheiro.
Mesmo aconselhado por João, que já tinha a experiência de ter recebido um bilhete intimidador do “Rei do Cangaço” quando residia em Triunfo (PE), a mandar o dinheiro pedido, ou parte dele, Figueiredo recusou-se a fazê-lo, o que teria motivado a investida de Zé Sereno, um dos seus lugares-tenente. “Se ele tivesse mandado o dinheiro não acontecia nada”, enfatiza nossa entrevistada.
Esclarecida a motivação do fato, veio uma revelação que elucida o último questionamento, levantado numa das conversas com a anciã. Ela nos disse que o Coronel tinha em sua residência apenas um bacamarte velho que ele usava anualmente nas festas juninas, com o qual deu o tiro que quebrou a janela da casa da fazenda invadida e iniciou o “fogo” (tiroteio) e nenhum jagunço. Numa época em que o banditismo reinava, é quase que impossível pensar como um coronel, cuja patente vinha da extinta Guarda Nacional, poderia se descuidar da segurança ao ponto de se expor a uma invasão fatal como aquela.

Continua na próxima edição...


* Por João Paulo Araújo de Carvalho
(historiador, mestre em História, professor e colaborador do Projeto Memórias) contato: joaopaulohistoria@gmail.com
* Publicado na Revista Perfil (agosto de 2011)